Curso de Jornalismo encerra comemorações de 60 Anos com Fabiana Moraes
- Curso de Jornalismo
- há 12 minutos
- 3 min de leitura
Com cerca de 500 presenças registradas em oito eventos e um minicurso ao longo de um ano, ciclo de celebrações mobilizou estudantes, egressos e setores da sociedade civil

Por Pedro Igor (8º semestre do Curso de Jornalismo) e Rafael Rodrigues
Foram oito eventos, um minicurso e mais de 500 presenças registradas ao longo de um ano. Os números revelam a face mais tangível das comemorações dos 60 anos do Curso de Jornalismo da UFC, que completou seis décadas no dia 12 de novembro de 2025. Para além dos dados quantitativos, um sem-número de encontros, (re)conexões e recordações marcaram o ciclo de aniversário, iniciado ainda em 2024, por ocasião dos 59 anos do Curso. Saiba mais sobre o ciclo comemorativo de 60 Anos do Curso de Jornalismo acessando o hotsite do aniversário.
A última atividade das comemorações foi a conferência Subjetividade e posicionamento no jornalismo, proferida pela jornalista e professora pernambucana Fabiana Moraes no auditório Rachel de Queiroz, do Centro de Humanidades. Autora de obras como O nascimento de Joicy (2015) e A pauta é uma arma de combate, Fabiana discutiu a interseção entre a subjetividade e a práxis no jornalismo profissional.
A fala de abertura da noite ficou a cargo de Tarcísio Aquino, secretário geral do Sindicatos dos Jornalistas no Ceará (Sindjorce), que saudou a comunidade acadêmica e destacou a relação simbiótica entre o curso da UFC e o mercado de comunicação no Ceará desde a fundação da graduação em Comunicação Social. Tarcísio também convidou os estudantes a se sindicalizarem e participarem ativamente nas transformações sociais do país.

Na abertura da mesa, os professores do curso Ana Cláudia Peres e Magela Lima não contiveram palavras para demonstrar a alegria em receber Fabiana, cuja obra até integra a bibliografia das aulas de Ana Cláudia, que salientou sua admiração pela autora. A pernambucana, por sua vez, reforçou sua felicidade em estar no Ceará, terra onde mais se produz “gente inteligente”, nas suas palavras.
Elementos para uma práxis subjetiva
Mas por que falar em subjetividade no jornalismo? Para Fabiana Moraes, a subjetividade é um aspecto esquecido pelo jornalismo profissional em favor da objetividade. Mas a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é ímpar ao cravar que a subjetividade sempre está posta diante do jornalista, mesmo quando não se deseja enfrentá-la.
Fabiana elenca cinco pontos intrinsecamente subjetivos que devem guiar a prática jornalística: reflexividade contínua, pautada na autocrítica sobre o que entra e o que sai nos lides; a capacidade criadora e criativa de questionar e descentralizar o olhar para a normalidade; o questionamento dos valores-notícia, o que autora admite ser o mais difícil, por partir de assimilar o que se sabe através dos veículos de imprensa; o ativismo para identificar as desigualdades mais visíveis e escancarar as faltas da nação; e por fim uma “sensibilidade hacker”, para subverter os fluxos jornalísticos tradicionais.
Ao final de sua fala, Fabiana concluiu que toda prática jornalística é posicionada, o que implica que o posicionamento não é a opinião do jornalista, mas sim como esses pontos se refletem em seu trabalho. Após a conferência, Fabiana atendeu diversos estudantes e jornalistas numa sessão de autógrafos.
Além dos eventos comemorativos, as celebrações incluíram o lançamento de um podcast especial com a história do curso e outros produtos jornalísticos de aniversário.




