Secom 2025 celebra vozes ancestrais
- Curso de Jornalismo
- 11 de nov. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 12 de nov. de 2025
Atividades do primeiro dia da Semana de Comunicação da UFC promovem debates sobre igualdade racial, território e memória cultural
Texto: Sarah Lopes
Edição: Taís Lustosa e Robson Braga

A 24ª Semana de Comunicação (Secom) da Universidade Federal do Ceará (UFC) teve início nesta segunda-feira (10), em uma programação que se estendeu pela manhã no Instituto de Cultura e Arte (ICA) e, à tarde, no Centro de Humanidades II (CH2). Com o tema “Vozes Ancestrais: É Festa no Terreiro da Memória!”, as atividades do dia contaram com debates potentes sobre representatividade, ancestralidade e o papel transformador da comunicação, reunindo estudantes e convidados em momentos de reflexão e celebração.
O primeiro dia começou com uma programação marcada por reflexão e troca de saberes. Pela manhã, a partir das 8h, no ICA, com a roda de conversa “Comunicação, Território e Igualdade Racial: Desafios e Práticas no Ceará”, com Wellyson Aguiar, gestor público atuante na coordenação da Secretaria da Igualdade Racial do Ceará. Foi discutido o papel da comunicação na construção de identidades e na luta por equidade racial.
Em seguida, às 10h, o debate seguiu no Auditório do Centro de Ciências com a roda “Negritude Em(quadro) – Da Margem ao Centro”, reunindo Dhara Amorim, Ed Borges, Eduarda Porfírio e Magi do Carmo, sob mediação de PJ Brandão. O encontro destacou a importância da representatividade negra na comunicação e nas artes visuais, provocando reflexões sobre deslocamentos de poder e protagonismo.
Encerrando as atividades da manhã, a oficina “Entre a Ideia e a Entrega – O que se Perde e o que se Ganha”, conduzida por Sara Oliveira, estimulou os participantes a repensar seus processos criativos e a entender a comunicação como prática viva e coletiva.
Às 14h, no Lab A de Jornalismo, no CH 2, ocorreu a oficina “Jornalismo Cultural Dentro e Fora das Redações”, ministrada por Isabella Rifane, jornalista graduada pela UFC e que atua na Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes. Nela foram explorados diferentes aspectos da produção jornalística voltada à cultura, abordando desde o trabalho universitário e nas redações até as estratégias utilizadas na assessoria de imprensa e nas redes sociais.
Entre os participantes, o estudante Murilo Peixoto, do 2º semestre de Jornalismo, afirmou que a experiência reforçou seu interesse pela área: “Eu ainda não fiz a cadeira optativa de Jornalismo Cultural, então essa oficina me fez ter a certeza de que irei cursar essa disciplina tão necessária para a cobertura cultural e para a sociedade.”
A atividade prática permitiu aos alunos compreender e aplicar, ainda que de forma resumida, os principais conceitos do jornalismo cultural em diferentes contextos e formatos, propondo pautas atuais e relevantes.
Simultaneamente, a oficina “Escrevivência e Afrofuturismo: Imaginando Utopias” foi ministrada por Kinaya Black, escritora natural de Quixadá-CE, mestre em literatura comparada (UFC), licenciada em letras inglês pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) e pesquisadora de afrofuturismo na literatura e no audiovisual desde 2017. Temas como afrotencidade, feminismo negro e pan-africanismo foram abordados, além de discutir o papel da escrevivência como forma de registro e valorização das vivências negras.
Para o aluno Dauan Soares, a experiência foi transformadora. “Aprendi muita coisa que eu não sabia, como o afrofuturismo. Gostei das atividades práticas, que me fizeram pensar e criar personagens. Foi um ótimo exercício de escrita. Criamos uma personagem criança chamada Nabila, que é um nome de origem africana, que significa dádiva divina”, detalhou.
A partir da ideia de que “toda utopia nasce de uma insatisfação com o presente”, a oficina incentivou reflexões críticas sobre as condições estruturais e culturais que moldam a realidade. A formação trouxe a proposta de imaginar personagens e futuros possíveis em uma sociedade mais justa e diversa, reforçando a importância da escrita e da imaginação como instrumentos de resistência e transformação.

Mesa de abertura
Continuando com a programação, a Secom teve, no turno da tarde, sua mesa de abertura marcada por reflexões profundas sobre representatividade, identidade e resistência no campo da comunicação. Com o tema “O lixo vai falar: Comunicação e Identidade”, o evento ocorreu na Reitoria da UFC e contou com a presença dos jornalistas Isabel Andrade e Geovane Pereira, e mediação dos estudantes de Jornalismo Xaio Mar e Lucas Matheus.
Durante o debate, Isabel Andrade destacou os desafios estruturais da universidade brasileira, ressaltando dados que evidenciam a sub-representação de docentes negros nas instituições de ensino superior. A jornalista também compartilhou sua trajetória acadêmica e profissional, reforçando a importância de ocupar e transformar os espaços de poder e de produção de conhecimento.
“A universidade está mudando, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Continuar incomodando é necessário, porque a transformação só acontece quando questionamos as estruturas”, afirmou.
Geovane Pereira complementou a discussão ao abordar o papel do jornalismo na propagação de discursos antirracistas e na valorização da diversidade. Ele destacou que a luta por equidade nas redações e nas universidades é contínua e deve ser coletiva: “Tudo o que conquistamos foi fruto de luta, suor e insistência. É preciso continuar fazendo barulho, criando espaços e narrativas que representam quem realmente somos.”
O mediador Lucas Matheus também ressaltou a importância da Secom como um espaço de troca e resistência: “Organizar uma semana com profissionais negros e indígenas é reafirmar que a comunicação precisa refletir o Brasil real, plural e diverso.”
O encerramento da mesa de abertura foi tomado por emoção e energia com a apresentação do grupo percussivo Acadêmicos da Casa Caiada, que trouxeram ao palco uma performance vibrante unindo música, poesia e ancestralidade com o ritmo brasileiro e afro-indígena. O grupo arrancou aplausos entusiasmados do público e transformou o auditório da Reitoria em um espaço de celebração da arte e da identidade.
O clima de empolgação marcou o início de mais uma Secom e simbolizou, de forma potente, o espírito da semana: resistência, diversidade e alegria como formas de comunicação e de existência.
Confira programação:
Terça, 11 de novembro de 2025
8h – 10h
• De um ponto a outro: Produção cultural e streetwear - CS105 / ICA/Pici
10h – 12h
• Oficina de colagem – Colando afetos: nossos recortes sobre a identidade negra - CS105 / ICA/Pici
• Ponto de vista: capturas e rememórias — Hall / Espaços abertos do ICA/Pici
• Sidjorce apresenta: Uso crítico da IA para jornalistas e comunicadores — Lab A / Curso de Jornalismo/Benfica
14h – 16h
• Um olhar no veneno: a pauta e apuração do jornalismo investigativo — JOR 1 / Curso de Jornalismo/Benfica
• As loiceiras de Tacaratu e Pankararu – Identidade, memória e resistência: como produzir fotolivros — Lab A e Estúdio de Rádio / Curso de Jornalismo/Benfica
16h – 18h
• Como o jornalismo político chega nas comunidades de Fortaleza? — Auditório MAUC/Benfica
• Próxima estação: os novos rumos das políticas e produções culturais — Auditório Luiz de Gonzaga (CH3) / Benfica
Quarta-feira, 12 de novembro de 2025
8h – 10h
• Do olhar sensível ao comunicar sensível: pertencimento como estratégia - CS107 / ICA/Pici • Narrando o olhar: oficina de locução - CS108 / ICA/Pici
10h – 12h
• Design periférico: descentralizando o olhar para inovar — Lab 101 / ICA/Pici
14h – 16h
• Passa a bola para mim: cobertura esportiva — Lab A / Curso de Jornalismo/Benfica
16h – 18h
• Como mudar a construção de narrativas nas mídias tradicionais? — Auditório MAUC / Benfica
• Design periférico: criando minha identidade a partir das ruas — Lab A / Benfica
18h – 20h • Mostra audiovisual — Espaço Bergson Gurjão / Reitoria/Benfica
Quinta-feira, 13 de novembro de 2025
8h – 10h
• Forró de favela: um debate sobre identidade e memória — CS207 / ICA/Pici • Empreendedorismo e estética negra — CS205 / ICA/Pici
10h – 12h
• Estratégias digitais: criando comunidades e fortalecendo narrativas — CS207 / ICA/Pici
• Storytelling estratégico - CS105 / ICA/Pici
• As ruas faladas por nós: oficina de slam com Pretassa — JOR 01 / Curso de Jornalismo/Benfica
14h – 16h
• No fluxo das ideias: oficina de podcast — Lab A e Estúdio de Rádio / Benfica
• Escrevendo histórias: roteirização para curtas — JOR 01 / Curso de Jornalismo/Benfica
16h – 18h
• Do documentário ao filme: produções audiovisuais no jornalismo — Auditório Luiz de Gonzaga / Benfica
• Anatomia de uma exposição: jornalismo e curadoria — Auditório MAUC / Benfica
18h – 20h
• Mostra audiovisual — Espaço Bergson Gurjão / Reitoria/Benfica
Sexta-feira, 14 de novembro de 2025
8h – 10h
• Quem fala por quem? Publicidade, representação e ancestralidade / ICA/Pici
14h – 16h
• Memórias murais: pinturaço no prédio de Jornalismo — 2º e 3º andar, Prédio de Jornalismo / Benfica
• Copa Chica — Quadra Céu / CH2/Benfica
16h – 18h
• Ilustra aí: construção de tirinhas — JOR 01 / Curso de Jornalismo/Benfica
• Entre nós, o amor: leitura do livro “Cartas para minha vó”, de Djamila Ribeiro — JOR 03 / Curso de Jornalismo/Benfica

















